Lágrimas na Ceia: Caio e o mistério de amor na Primeira Eucaristia

O sábado era de sol e clima ameno. Famílias ansiosas tiravam fotos e se acomodavam nas poltronas da igreja para acompanharem a última celebração da Primeira Eucaristia daquele dia. O sino toca. No comentário inicial, Maria de Lurdes provoca os que ali estavam presentes: “Vocês sabiam que a missa é uma festa?”. Sim! Naquele momento tudo era festa: as flores no altar, as crianças vestidas de branco, os sorrisos que se escondiam atrás das máscaras.

Frei Lindolfo entra pelo corredor central, cumprimenta a todos e inicia a Santa Missa. Todos os ritos são explicados e comentados, para que a comunidade possa perceber o amor de Deus em cada gesto daquela tarde. Empenhado em fotografar a celebração para as redes sociais da Paróquia, caminho para todos os lados, procuro ângulos entre os fiéis e – por um momento – me disperso do rito.

Crianças acendem suas velas, renovam suas promessas, acompanham a consagração. Chega, então, o momento mais esperado. Catequizandos formam uma fila indiana e, um por um, sobem no presbitério e recebem a Eucaristia pela primeira vez. Me aproximo para registrar alguns detalhes, com olhos fixos no frei, nas crianças e em suas expressões.

Em certo momento, porém, olho para o lado e me deparo com um menino que chorava copiosamente. Seu nome é Caio Henrique Nagel Vieira, de 11 anos. Sentado no primeiro banco a esquerda, ele aguardava sua hora de entrar na fila e tentava conter as lágrimas. Naquele momento – ele conta – pensava na imensidão do amor de Deus. “Eu lembrei de tudo o que ele fez por nós, de Jesus na cruz (…) Ele fez tudo isso por amor mesmo”.

Enquanto Caio chorava, uma catequista, também com olhos marejados, chega, o abraça e da um beijo em sua cabeça. Ela é Patricia Nagel Vieira que, além de catequista, também é mãe de Caio. Natural de Jaraguá do Sul, a mulher mudou-se para Balneário Camboriú há 21 anos e assumiu o compromisso de ser catequista na Paróquia Santa Inês há dois.

Se as lágrimas de Caio eram de
perguntas, as de Patrícia eram de certezas. Novamente emocionada, ela conta que estava realizada em ver seu filho preparado para receber Jesus e ressalta que aquele momento não era um protocolo, mas sim algo sincero.

A mãe se afasta e o menino entra na fila. Nesse exato momento, porém, suas lágrimas somem. Ao chegar em frente ao Frei Lindolfo, o catequizando abre um sorriso e recebe a Eucaristia. Caio não sabe explicar em palavras a felicidade que o inundou naqueles poucos segundos. Já em comunhão com Cristo, ele volta para o seu lugar, ajoelha-se e derrama novas lágrimas, ainda tentando entender aquele mistério que acabara de vivenciar.

A cena comoveu a igreja. Pessoas olhavam para Caio e, nele, percebiam a grandiosidade daquele sacramento. Saciados, todos receberam a benção e voltaram para suas casas, com um ar especial que pairava sobre todo o ambiente. Essa, porém, foi apenas a primeira vez que estes catequizandos receberam a Eucaristia. Agora, eles também são convidados a participaram da Ceia do Senhor juntamente com a comunidade.

Depois de distribuir lembrancinhas e cumprimentar cada catequizando, Patrícia sai da igreja ainda emocionada. Estava extasiada pelo que acabara de vivenciar, mas, ainda assim, já pensava na próxima etapa da Iniciação à Vida Cristã. “Espero, na semana que vem, ver todos os catequizandos lá”, comenta. E é isso aí, Patrícia! A missão continua, com lágrimas nos olhos, coração repleto de amor e ansiedade para a Crisma.

Por Pascom Santa Inês